Das emoções
Hoje vou usar a da roda gigante.
Comecei o isolamento relativamente tranquila achando que ia administrar bem "os 14 dias" (sabe de nada, inocente!). Minha fala era: estou inexplicavelmente bem; inexplicavelmente calma, quase zen.
Era a roda gigante começando a girar... no começo foi beeeeem devagar. Quando passaram os 14 dias e a coisa piorou, dei uma surtada de 24h, pensei que ia pirar. Era a roda gigante parada lá em cima, balançando com o vento. Mas era só para que outra gôndola fosse ocupada, lá embaixo, e logo começou a girar de novo, descendo, e fui me sentindo bem, novamente.
Ao contrário da metáfora da montanha russa, na roda gigante descer é bom. Estar embaixo é estar em segurança. Subir é ser levado para o desconhecido, para a vulnerabilidade para a situação de risco.
Danado é que de vez em quando ela dá uma parada lá em cima. E percebi que tenho formas diferentes de sentir e agir, nessa hora extrema.
1. Posso olhar pra baixo, ter consciência do perigo, da fragilidade do cestinho que balança com o vento que vem do mar, e desesperar, porque não tenho como me defender dos perigos aos quais estou exposta. E isso aconteceu algumas [muitas] vezes.
2. Posso voltar minha atenção para quem está comigo nessa parada, e bater um papo gostoso, tirando o foco da situação de risco (ela não deixa de existir, mas não ocupa o centro dos meus pensamentos). Essa foi minha opção mais frequente.
3. Posso me mexer e balançar a gôndola, rindo na cara do perigo. Isso eu NUNCA fiz, na roda gigante real ou na metafórica. Se é uma coisa que eu busco, é a prudência. (Epicuro rules, again!)
4. Posso, mesmo estando lá no alto, balançando com o vento, acalmar quem está na gôndola vizinha, e está grudado na opção 1. Olhar em torno me faz perceber que não estou sozinha nessa viagem, e que sou responsável, indiretamente e em certa medida, pelos outros. Essa tem sido minha escolha, em grande parte do tempo.
5. Posso curtir o som que toca no Parque de Diversões, e desligar completamente o botão do medo. Aproveitar e olhar a vista lá de cima, ver bem longe o que não veria se não tivesse subido. É um pouco de ver o futuro, de aproveitar o que posso tirar de bom dessa situação difícil. Também tenho feito bastante isso, com o olhar da Gratidão.
6. Posso fechar os olhos e respirar conscientemente, pensando: vai passar, vai passar, vai passar... até ela descer e a coisa continuar no ritmo normal, de "desce pra subir, sobe pra descer" até chegar a hora de parar lá embaixo, e o funcionário do parque (@oatila) dizer que acabou e já posso sair!
Bom acho que tem mais opções, mas por hoje fico com essas.
Monótono não tem sido, posso garantir! 😁😁😁
E nesse cabaré de emoções, tenho feito muita mandala, muitos filtros dos sonhos. O da foto é o clássico Yin Yang, que também descobri sozinha como fazer. 💪🏻💪🏻💪🏻(disponível para compra sob encomenda, em vários tamanhos e cores! Pede por direct!)
Agora, me diz: como você está de ração à paradinha lá no alto? Conta aí!!! #momentoterapia
17/51
Macramê 12 cm
Yin Yang
📷: @kelsonsouzafotos

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